Glossário — termos de VPN em linguagem clara
Explicação curta dos termos técnicos e funcionalidades que aparecem nos filtros, no guia e nas páginas dos fornecedores.
Segurança
- Kill switch
Um kill switch monitoriza o túnel VPN e bloqueia todo o tráfego da Internet se o túnel for interrompido — por exemplo, quando mudas de Wi-Fi ou quando o servidor perde a ligação. Sem ele, o computador continua a enviar pacotes pela tua rede normal até o cliente se reconectar, o que expõe o teu endereço IP real. Para quem usa VPN para ocultar a sua localização, o kill switch é, na prática, obrigatório.
- Split tunneling
O split tunneling divide o tráfego por dois caminhos. Podes, por exemplo, usar o navegador através da VPN mas deixar a aplicação do banco ou as impressoras locais fora dela, o que de outro modo costuma resultar em o serviço bloquear-te ou ficar mais lento do que o necessário. O oposto do split tunneling — túnel total — envia tudo pela VPN, independentemente da aplicação.
- Multi-hop
No multi-hop (por vezes chamado double VPN), o teu tráfego passa por uma cadeia de dois servidores em países diferentes. O primeiro servidor vê o teu IP real, mas não o que visitas; o segundo vê o destino, mas não a origem do tráfego. Isto protege contra um fornecedor que falhe na disciplina de não registo, mas custa velocidade e é exagerado para a maioria dos utilizadores.
- Proteção contra fugas de DNS
Sempre que abres uma página web, o computador faz uma consulta ao nome de domínio através de um servidor DNS. Se o tráfego DNS for, por engano, diretamente para o teu fornecedor de Internet em vez de passar pelo túnel VPN, este continua a ver toda a lista de sites que visitas, mesmo que o carregamento das páginas seja encriptado. A proteção contra fugas de DNS força as consultas a passarem pelo túnel.
- Protocolos
Um protocolo VPN define como o cliente e o servidor negoceiam um túnel encriptado e como os pacotes são empacotados. WireGuard é o padrão moderno, com uma base de código reduzida, rápida e boa em redes móveis. OpenVPN é mais antigo e mais lento, mas extremamente comprovado e disponível em todo o lado. IKEv2/IPsec lida bem com mudanças de rede e é frequentemente usado em telemóveis. Evita protocolos antigos como PPTP ou L2TP sem IPsec.
- Encriptação
Todos os serviços VPN sérios encriptam o tráfego com AES-256 ou ChaCha20. Ambos são hoje praticamente inquebráveis com métodos conhecidos. Expressões como «military-grade» ou «bank-grade encryption» são puro marketing — não existe tal norma. O que importa mais é como as chaves são trocadas e se é usado perfect forward secrecy, o que todos os protocolos modernos fazem.
Rede
- Jurisdição
O país onde a empresa está sediada determina que tribunais e serviços de segurança podem exigir dados ou obrigar o fornecedor a começar a registar. Os países dentro das alianças Five/Nine/14 Eyes partilham informações de forma rotineira; os fornecedores sediados fora delas (por exemplo, no Panamá ou na Suíça) ficam algo mais livres. Isto, no entanto, não protege contra uma má política de no-logs — um país sem requisitos de retenção só serve se o fornecedor realmente não guardar nada.
- Total de servidores
O número de servidores é uma métrica popular para destacar, mas diz pouco por si só. Três mil servidores em cinco países é pior do que trezentos servidores em cinquenta países. O que conta é se há servidores perto de onde estás (latência) e nos países a que precisas de te ligar (geobloqueio). Números altos refletem também a forma como o fornecedor conta — instâncias virtuais e balanceadores de carga são frequentemente incluídos.
- Número de países
O número de países com servidores determina de que regiões geográficas podes obter um endereço IP. Se queres aceder à BBC iPlayer, é preciso haver servidores no Reino Unido; se queres ver a Netflix americana, é preciso que haja nos EUA. Para a maioria das pessoas, 30 a 50 países chegam bem; para além disso é sobretudo para casos pontuais.
- Localizações de servidores
As localizações de servidores indicam de onde podes obter um ponto de saída. Alguns fornecedores operam servidores físicos em todos os países listados; outros usam servidores virtuais, em que a máquina está noutro lugar mas atribui um endereço IP do país de destino. Para o geobloqueio, ambos são equivalentes; para a latência, a localização física é melhor.
Preço
- Plano gratuito
Um plano gratuito costuma ser uma amostra, não uma alternativa completa. Limitações típicas são 500 MB a 10 GB de tráfego por mês, poucos países de servidores e velocidade mais baixa. Evita VPN gratuitas de fornecedores desconhecidos — a operação é cara e, se não estás a pagar, provavelmente és tu o produto (medição publicitária ou revenda de tráfego).
- Garantia de reembolso
A garantia é, na prática, um período de teste gratuito: pagas a anuidade e exiges o reembolso antes de o prazo terminar caso não estejas satisfeito. Lê as condições — alguns fornecedores recusam o reembolso se tiveres usado demasiado tráfego, comprado via App Store ou através de promoções específicas.
- Preço após período inicial
Quase todos os fornecedores de VPN se promovem com um preço inicial fortemente descontado e depois voltam a um preço regular bastante mais alto na renovação. O desconto pode ser de 60 a 80 % no primeiro ano. É o preço de renovação que representa o custo a longo prazo — é esse número que deves comparar.
- Dispositivos em simultâneo
O limite controla quantos dos teus dispositivos podem estar ligados à VPN ao mesmo tempo. Um router conta como um dispositivo, mas cobre tudo o que se ligue por trás dele, pelo que instalar no router é uma boa forma de poupar no número de dispositivos. Se partilhas a conta com a família, costuma ser preciso suporte para 5 a 10 dispositivos em simultâneo.
- Dispositivos ilimitados
Com um número ilimitado de ligações em simultâneo, podes iniciar sessão em quantos dispositivos quiseres ao mesmo tempo. Útil para agregados grandes, equipamento de casa inteligente e se queres partilhar a conta com familiares próximos. Pressupõe-se um uso razoável — os fornecedores costumam atuar contra a partilha comercial.
Funcionalidades
- Bloqueador de anúncios
A maioria dos bloqueadores de anúncios das VPN é, no fundo, uma lista negra de DNS: o servidor recusa resolver domínios de publicidade conhecidos. Isto funciona contra banners e rastreadores de terceiros, mas falha contra anúncios que estão no mesmo domínio que o conteúdo (por exemplo, o YouTube). Uma extensão dedicada para navegador como o uBlock Origin é mais minuciosa. Duas vantagens da variante VPN: protege todos os dispositivos e funciona em aplicações, não só no navegador.
- Plataformas
Uma aplicação oficial para o serviço VPN torna a instalação simples e trata automaticamente de detalhes como o kill switch e a proteção contra fugas de DNS. É comum existir suporte para Windows, macOS, Linux, iOS e Android. Se faltar uma plataforma (por exemplo, um router específico ou uma Apple TV), costuma ser possível ligá-la manualmente através de ficheiros de configuração OpenVPN ou WireGuard, mas sem funcionalidades extra.
- Extensões para navegador
Uma extensão de VPN no Chrome ou no Firefox é, na maioria dos casos, um proxy HTTPS, não um túnel VPN completo. Apenas o tráfego do navegador é protegido; todo o restante tráfego de rede (outras aplicações, atualizações do sistema, cliente de e-mail) segue o caminho normal. É útil quando queres mudar temporariamente o país de saída sem configurar um túnel ao nível do sistema, mas não substitui um cliente VPN a sério.
- Suporta streaming
Marcamos como Sim se o próprio site do fornecedor menciona o streaming como uma funcionalidade. Muitos serviços de streaming mantêm listas de endereços IP de VPN e bloqueiam-nos. Um fornecedor que funciona hoje pode deixar de funcionar para a semana. Uma garantia de reembolso curta é o melhor seguro se o streaming for o teu principal objetivo.
- Serviços de streaming suportados
O número de serviços de streaming que o próprio fornecedor lista como suportados no seu site. Alguns listam exaustivamente numa página dedicada, outros apenas um subconjunto, outros não listam de todo.